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Diversidade/Pluralidade Cultural na Escola

A presente aula nos leva a pensar sobre a questão da diversidade cultural e sua abordagem em sala de aula, tema extremamente relevante para que toda esta mistura étnica-cultural de nosso território se veja representada nas aulas e currículos escolares.

A professora conduz sua aula questionando o relacionamento com os “outros”, e como se abordar o duo diferença e igualdade, por fim finalizando-a com citações a legislações federais pertinentes a temática.

Para além dos autores citados na aula, creio que a frase de Boaventura de Souza Santos e a história do educador “Tião Rocha”, sintetizam magistralmente o tema abordado.

“Lutar pela igualdade sempre que as diferenças nos discriminem. Lutar pelas diferenças sempre que a igualdade nos descaracterize”.
Boaventura de Souza Santos, 1995

 

“Sebastião Rocha é Tião Rocha desde menino. Nascido e crescido em
 Belo Horizonte conta que enfrentou problemas na escola já no pri-
 meiro dia de aula. A professora começou a ler para os alunos uma
 historinha infantil que falava de um lugar distante onde moravam
 um rei e uma rainha. O aluno Tião, já gostando da história, in-
 terrompeu para dizer que a tia dele era rainha. A professora des-
 conversou. Explicou que aquela era uma história da “carochinha”,
 falava de reis e rainhas que não existiam e pediu que Tião fica-
 sse quieto. Mas cada vez que o rei e a rainha eram citados, Tião
 Rocha interrompia a história, a professora se irritou e mandou
 um “cala boca” no menino. Tião, que no final da aula foi parar
 na diretoria, tinha mesmo uma tia rainha; se chamava Edeuvina e
 era rainha perpétua do congado. Todos os anos, devidamente tra-
 jada, ela recebia homenagem nas congadas, moçambiques, festas
 religiosas de santos brancos e reis negros que construíram parte
 importante da história cultural de Minas Gerais. Tião Rocha,
 ao longo da vida escolar,carregou na memória a indiferença de
 professores em relação às histórias e heranças culturais das
 próprias comunidades onde as escolas existiam e funcionavam.
 A partir disso, decidiu estudar história e, depois, antropologia.
 Deu aulas de cultura popular na universidade de Ouro Preto,
 mas desistiu de ser professor para ser educador. Em 1984, com um
 grupo de amigos, criou em Curvelo, no sertão de Minas Gerais, um
 Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento [CPCD], um projeto
 pedagógico baseado no uso da cultura local como matéria prima
 da educação e na idéia de que qualquer espaço físico, além da
 escola, pode ser um lugar de aprendizagem, até mesmo um pé de
 manga. Veio daí a idéia da pedagogia da roda, que Tião Rocha
 criou junto à pedagogia do sabão e à pedagogia do brinquedo,
 os três pilares que caracterizam seu trabalho.”  
(Memória Roda Viva, 2007)

Bibliografia:

DUSCHATZKY, Sìlvia & SKLIAR, Carlos. O nome dos outros. Narrando a alteridade na cultura e na educação. In: LARROSA, Jorge & SKLIAR, Carlos (org.). Habitantes de Babel : políticas e poéticas da diferença.Belo Horizonte, Autêntica, 2001.

Memória Roda Viva, TV CULTURA/FAPESP. Entrevistado: Tião Rocha. Acesso em: 18/10/2011. Disponível em: http://www.rodaviva.fapesp.br/materia/529/entrevistados/tiao_rocha_2007.htm

SANTOS, Boaventura de Souza. A construção multicultural da igualdade e da diferença. In: Congresso Brasileiro de Sociologia, Rio de Janeiro: Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 4 a 6 de set., 1995.

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