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Vídeo Aula 15

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Dimensões Constitutivas do Sujeito Psicológico

A presente vídeo-aula nos traz importantes alertas contra a simplificação dos sujeitos, baseando-se em reducionismos que não abarcam as diferentes dimensões, conflitantes, dialéticas, que um sujeito traz consigo. Em dado momento da vida, ou até mesmo do dia, certa dimensão pode ser preponderante, o que pode mudar em um simples momento.

O sujeito psicológico é complexo, a realidade é complexa, não aceita enquadramentos teóricos reducionistas para sua compreensão. É importante lembrar que as teorias são modelos da realidade, e que, via de regra, surgem de hipóteses e premissas carregadas da disciplinarização, fruto da modernidade, e distinta da realidade, que não é disciplinar, e sim totalizante.

Consideremos então, toda esta totalidade, para o fazer pedagógico, a prática docente, e a gestão escolar, para que, quanto mais nos aproximarmos da realidade, mais possamos obter êxito e satisfação em nossas ações.

Vídeo-aula 12

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Perspectivas atuais da educação em valores

Considerando toda a complexidade do cotidiano escolar, e trazendo propostas para a atuação no dia-a-dia, Ulisses Araújo conduz sua aula no sentido de expor estratégias e métodos de articulação entre a escola e a comunidade.

Para a referida articulação explorada por Ulisses, são propostas quatro estratégias, quais sejam: i. Fórum Escolar de Ética e Cidadania, ii. Educação comunitária; iii. Currículo e Cidadania; iv. Protagonismo Juvenil.

A primeira estratégia diz respeito a construção de um espaço de diálogo entre escola e comunidade, aonde temas de ambos espaços são tratados, de modo democrático, junto as questões de ética, direitos humanos e inclusão social, fazendo que a comunidade se torne sujeito ativo na educação das crianças e da elaboração das políticas e planos de gestão da escola.

A segunda estratégia trata de levar a educação para fora da escola, fazer com que os alunos observem e compreendam a as temáticas do dia a dia do bairro e a realidade cotidiana de suas vidas, tal como no projeto do Ribeirão Anhumas da vídeo aula 10.

A terceira estratégia, fala de trazer os temas e questionamentos comunitários para dentro da escola, inseri-los no currículo escolar, tarefa primordial já que esta dimensão ética e cidadã está sendo subvalorizada em nossas escolas,  tal como apontou o Prof. Dr. Ulisses Araújo na vídeo aula 5.

Por fim, a quarta, e fundamental estratégia para a articulação escola comunidade é o protagonismo juvenil, que deve ser valorizado e estimulado, através de atividades que despertem consciência crítica e participação política nos jovens, as quais ganham força ao se aliar com atividades de forte caráter cultural, tais como as rádios, as bibliotecas, os jornais e as peças de teatro.

Vídeo-aula 11

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Perspectivas atuais das Pesquisas em Psicologia moral

 A presente vídeo aula, para fundamentar sua argumentação referente ao tema da educação e valores, recorre as recentes pesquisas que se desenvolvem na temática da moralidade humana e suas implicações para o campo educacional.

Reafirmando a participação da moralidade na construção de nossa identidade, e pontuando o caráter dinâmico do sujeito psicológico e seus valores, a aula reforça a idéia do papel ativo que o sujeito possui em sua educação e, destacadamente, na construção de valores.

 No tocante a questão dos valores, aponta que estes podem ser morais ou não, sendo importante ir além da questão das regras/dever para compreensão da valorização, recorrendo a fatores como os sentimentos, a história do sujeito, e a hierarquia estabelecida em seu sistema moral.

Por fim, aponta que a escola pode, através de metodologias ativas de aprendizagem e seqüências didáticas estimuladoras e voltadas para a construção de valores, colaborar na estruturação de uma educação ativa e em valores.

Vídeo Aula 8

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A Construção Psicológica dos Valores

É possível uma educação em valores?  Como se dão os processos de construção e/ou apropriação de valores? Quais valores devem a escola ensinar? Tais perguntas irão nortear a aula do Prof. Dr. Ulisses Araújo, o qual buscará respondê-las, de um ponto de vista psicológico.

Para o citado professor, existe sim a possibilidade de uma educação em valores, sendo que para Ulisses os valores podem ser definidos como:

“Os valores referem-se a trocas afetivas que o sujeito realiza com o exterior. Surgem da projeção de sentimentos positivos sobre objetos, e/ou pessoas, e/ou relações, e/ou sobre si mesmo.”

Para a compreensão do processo de construção e apropriação de valores, é interessante pontuar a dimensão afetiva, dos sentimentos, dentro da questão da construção da identidade, bem como da moralidade.  Esta mutável valoração, também acarreta a possibilidade de que em toda nossa vida possamos construir outros valores, transformando nossa identidade e valores morais.

 

O Prof. Dr. Ulisses também aborda a questão dos valores centrais e periféricos, argumentando que cada pessoa possui valores centrais em sua identidade, os quais estruturam sua personalidade e norteiam as ações e valores secundários, os quais apesar de serem alvo de valoração, perdem em importância para aqueles dotados de centralidade para o sujeito.

 

Por fim, pontuo que a escola deve, intencionalmente, ensinar os valores desejáveis para uma convivência democrática e cidadã. Deve estimular os alunos para que seus valores centrais sejam baseados em princípios éticos e de justiça, já que são estes os grandes problemas que a humanidade necessita, para própria sobrevivência, solucionar.

Vídeo Aula 7

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Educação e Ética

Explanando sobre o tema da ética na escola, Carlota Boto nos apresenta a visão de uma escola como travessia, um espaço de sociabilidade posterior a socialização familiar, e preparatório para a vida pública, para a vida em sociedade e a prática democrática.

Versando sobre os conflitos vivenciados pelos atores educacionais, a autora aponta uma linha tênue entre a necessidade do emprego prevalente da “liberdade” ou da “autoridade”, e pontua a necessidade do ensino pelo exemplo, muito mais do que por discursos ou teorias.

Para falar sobre a ética, a política, democracia e vida pública, remonta seu raciocínio a Grécia antiga, argumentando sobre a importância destinada a participação na vida pública, em contraste com aqueles apenas preocupados com o seu caminho, os “idiotas”, como também apontam os filósofos Mario Sérgio Cortella e Renato Janine  Ribeiro.

 

Ao propor a ação ética como hábito e enfatizar a escola como espaço para o preparo da democracia, é possível que pontuemos o seguinte questionamento: São os valores éticos e a prática democrática os referenciais de nossa política educacional? Ou ainda estamos formando as crianças com uma rasa formação conteudista – quando não apenas “vigiando” as mesmas enquanto seus pais estão ocupados – para apenas assumirem postos subalternos de trabalho e pouco questionarem sua situação ou seus direitos e representatividade na vida política?

Por fim destaca-se a afirmação de Victoria Camps:

“[…] a ética fala da justiça porque há desigualdade, fala da amizade porque não somos auto-suficientes, fala da democracia porque não existem sábios suficientemente capazes e competentes para governarem sem perigo de se equivocar.” (CAMPS, 1996, p.11)

Bibliografia:

BOTO, C.  A civilização escolar como projeto político e pedagógico da modernidade: cultura em classes, por escrito. Cad. Cedes, Campinas, v. 23, n. 61, p. 378-397, dezembro, 2003.

CAMPS, Victoria. Virtudes públicas. Madrid, Editorial Espasa Calpe, 1996.

Vídeo Aula 4

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A Escola e a Construção de Valores Morais

Aproximando a questão dos valores ao cotidiano escolar, o vídeo tem como questão central: como a escola pode atuar na questão da construção de valores com cada criança?

A teoria de Piaget é um bom começo para responder a tal questão, mas deve-se lembrar que reduzir a formação moral da criança ao respeito às regras, é uma abordagem limitada, que não contempla toda a complexidade deste processo no cotidiano escolar.

A construção de valores desejáveis no cotidiano escolar é essencial para o desenvolvimento de uma educação para a cidadania. Mas, para tal empreitada, não bastam as lições de moral, ou explicações esparsas sobre atitudes certas e equivocadas. É necessária uma efetiva atuação interdisciplinar e transversal, na qual se destacam sete dimensões, quais sejam: i. os conteúdos escolares; ii. as metodologias das aulas; iii. quais valores trabalhar?; iv. relações interpessoais; v. auto-estima; vi. auto-conhecimento; vii. a gestão escolar.

No tocante aos conteúdos escolares, temáticas como ética, direitos humanos, inclusão social e convivência democrática precisam entrar no currículo das escolas. Atualmente, os currículos escolares não privilegiam o trabalho com valores, apesar de retoricamente incluírem a formação cidadã em seus projetos políticos-pedagógicos. É necessário que os citados temas permeiem, de forma transversal e interdisciplinar, as aulas de português, matemática, geografia, entre outras, impregnando o dia-a-dia escolar de uma educação em valores.

Quanto a metodologia das aulas, sua importância se dá pois de nada adianta currículos  e projetos políticos-pedagógicos modernos, se as aulas são anacrônicas e não levam em conta o papel ativo do estudante, a construção coletiva e colaborativa e o diálogo.

Na questão de quais valores trabalhar, primeiramente deve-se ter em mente que a escola precisa ter a intencionalidade, e se estruturar para tal, que os alunos interiorizem certos valores, tais como os da cidadania e dos direitos humanos. Para além da intenção, a escola necessita se munir de referências e parâmetros para conseguir acompanhar e avaliar o desenvolvimento do aluno no tocante aos valores mencionados.

Na temática das relações interpessoais, para que se consiga a desejada autonomia, aliada a um ambiente colaborativo, deve-se estimular os sentimentos de respeito, autoridade e admiração nas relações entre os alunos, e entre alunos e professores. Com a identificação do aluno, o professor terá autoridade moral, baseada no respeito do discente pelos seus valores e conduta.

A auto-estima, apesar de figurar como tema comumente negligenciado na educação de valores, é de grande importância para a construção da auto-imagem e da consciência da criança. É necessário reforçar uma auto-imagem positiva, para a elevação da auto-estima dos alunos.

Quanto ao auto-conhecimento, através do diálogo e da convivência cotidiana, a criança toma consciência de seus sentimentos e emoções em diferentes situações, sendo que esta tomada de consciência é fundamental para a construção de um ambiente democrático.

Por fim, verifica-se fundamental que o exemplo de práticas democrática se iniciem na gestão escolar, que os decisores, com suas ações, construam exemplos para a que os alunos interiorizem uma prática cidadã, colaborativa e responsável em seu cotidiano.

Vídeo Aula 3

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O Juízo Moral na Criança

            A aula baseia-se na obra do psicólogo e epistemólogo Jean Piaget, e tem como foco central responder o seguinte questionamento: Como se dá o processo de construção de valores por parte das crianças?

            Piaget acompanhou o desenvolvimento de seus filhos e outras crianças para tentar entender, a partir de jogos de regras, a construção da moralidade desde os primeiros momentos da infância, já que para o autor: “Toda moral consiste num sistema de regras, e a essência de toda moralidade deve ser procurada no respeito que o indivíduo adquire por essas regras.”

            Nesta perspectiva, uma pessoa moral seria a que cumpre as regras, leis ou normas acordadas em sociedade, e uma pessoa imoral é aquela que não as cumpre. Piaget também destaca a questão do respeito, dizendo que é necessário a internalização das regras, pela compreensão de sua importância, e não por temor de penalidades e sanções.

            De acordo com Piaget, o processo de desenvolvimento de uma pessoa passa por três fases: i. anomia; ii. heteronomia; iii. autonomia. A fase de anomia diz respeito a uma pessoa desprovida de regras e normas, tendo como seu melhor exemplo a figura de um bebê recém nascido. Na etapa da heteronomia, já existe a noção de regras, sendo que a origem destas é variada – escola, família, igreja, amigos, etc. – mas ainda não está internalizada no indivíduo. Na fase da autonomia, o indivíduo, por si só, já sabe o que pode fazer nos espaços pelos quais ela circula, pois já internalizou as normas e regras de convivência.

            O autor suíço também vincula a lógica da coação e do respeito unilateral a fase da heteronomia, diferenciando-se assim da fase da autonomia, marcada pelos processos de cooperação e respeito mútuo. Quanto à questão do respeito, o autor a vincula aos sentimentos de amor e medo. Respeita-se certa pessoa por gostar deste indivíduo, e por temer perde-la, e não por imposição ou punições.

            Sendo assim, Piaget destaca o valor das relações pessoais para o desenvolvimento das fases apresentadas, ressaltando que em sociedades autoritárias, o alcance da autonomia é dificultado, já que as regras serão grandemente obedecidas pela coerção, não se atingindo a autonomia, na qual o respeito é oriundo da compreensão da importância da regra e da cooperação mútua.

            Por fim, sublinha-se a diferença entre a anomia e autonomia, através do conceito do egocentrismo, o qual revela uma independência que desconsidera os demais,  diferentemente de uma pessoa autônoma, que leva em conta o entorno social e as normas acordadas. O sentimento egocêntrico então, diminui com o desenvolver das fases apresentadas por Piaget, como mostra a figura 2.

Bibliografia

ARAUJO, U. O ambiente escolar cooperativo e a construção do juízo moral infantil: sete anos de estudo longitudinal, Rev. Online Bibl. Prof. Joel Martins, v.2, n.2, p.1-12, fev.2001.

MACEDO, Lino de. (org.) Cinco estudos de educação moral. São Paulo, Casa do Psicólogo, 1996.

PIAGET, Jean. O Juízo Moral na Criança. São Paulo, Summus, 1994.